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Oficina de criação de Narrativas de Histórias.
CCBB - coordenação: Tina Curi e Tom WIl

 Oficina de Criação

Um projeto de conhecimento pela arte

1º Ato

 

Desenvolver-se / envolver-se

 

O IDH – Índice de desenvolvimento humano - foi criado na década de 1990 por um economista indiano chamado Amartya Sem. Sua intenção era trazer parâmetros humanos e sociais para amplificar o significado de desenvolvimento de um país. Já para um indivíduo, desenvolver-se é algo que se entrelaça com conhecimento. Conhecer é o suporte para nossa adaptação à vida. Se expressar é a essência desse suporte.

Este projeto trabalha numa perspectiva de construção do conhecimento, na qual o processo comunicador é o ponto de partida, se estruturando através do jogo e da arte.  

Oficinas de Criação e Expressão é o nome dado ao conjunto desses jogos criadores, e de todo o processo, que promove o entrelaçamento da arte com a ciência, com os sentires, com o movimento, as fábulas, a história humana, o dia a dia, e essencialmente, a investigação da própria existência na relação com o mundo.

 

 

 

 

2º Ato

 

O corpo na educação. O ser Brincante

 

Brincante é a busca estética que as Oficinas de Criação e Expressão se propõem. É o brincar com a arte através de tramas, jogos, movimentos e histórias. É uma estética que propõe que todo participante seja protagonista.

 (...) o brincar é, então, uma forma de expressão e de constituição humana que não abarca apenas a infância. Por esse via, podemos argumentar que o brincar é uma necessidade ontológica que se estende ao longo de toda a nossa trajetória. Assim, deixar de brincar é violentar a capacidade de um sujeito “ser por inteiro” (...)Andressa Urtiga – ‘Brincante é um estado de graça’.

 

As partes e o processo – filosofia para crianças

Para ser um brincante é preciso atuar, tanto aluno, como professor. Atuar não é algo somente do ofício do ator. É um conjunto de capacidades.  O modo que nos relacionamos com mundo. Como a vida é interdependente, o desafio é encontrar o espaço sensível na relação com o outro, com os outros, com tudo a nossa volta, para que possamos desenvolver consciência sobre os intricados processos de viver em sociedade, na qual todos atuam.  

Ocupando espaço: físico e o simbólico.

O atuar da Oficina parte do ocupar espaço, que se traduz primeiramente através de um jogo, cuja proposta é misturar expressões físicas e simbólicas. É essencialmente um jogo de percepção, que aos poucos se transforma em processo de reflexão, e mais adiante, nos projetos de criação.

Ao propor ocupar o espaço, a ideia é problematizar as formas que fazemos isso. Brinca-se com o gesto, com os sons, as palavras, as ideias, os movimentos, o nada. Emergem ocupações poéticas, dançadas, musicadas, com histórias, canto, poesia; investiga-se a arquitetura, a produção energética, as invenções, o que vem dando errado, o lixo, a poluição, o cosmo. Um jogo cuja intenção é fomentar um olhar filosófico junto às crianças.

 “Cada vez que dou um passo, o mundo sai do lugar.”

                        Siba, músico.

 

O movimento e a nossa expressividade são as primeiras referências para ocupar espaço. Manifestamo-nos intensamente pelo movimento e suas expressões. Quando tomamos decisões, não é algo só cerebral. O corpo todo participa com seus sentidos. Brincar com o movimento é parte do desenvolvimento do processo sensorial e comunicador. Mobilizar o corpo com o brincar provoca a satisfação de se expor, de propor, de se colocar, de atuar, de interpretar, de correr o risco de dar expressão à vida. É pelo movimento que primeiro interagimos com o meio. Seu protagonismo, no projeto, vai além do ato físico: têm os impulsos, as pulsões, os desejos, a ânima, os sentires, os pensamentos. Conhecer é um ato da pele, assim como dos olhos. O corpo humano em funcionamento é um processo cognitivo na sua relação com o meio. É com ele em movimento, dançando, brincando, sentindo, que interpretamos o mundo. Expressar é o nosso modo de criar mundos.

“Por detrás de toda expressão abstrata se oculta uma metáfora e toda metáfora é jogo de palavras. Assim, ao dar expressão à vida, o homem cria um outro mundo, um mundo poético, ao lado do da natureza. Johan Huizinga  ‘O Homo Ludens’

No processo de construção do brincante há o encontro com o jogo dramático. Logo vem o teatro a mente. Mas o jogo dramático aqui é o fabular, aquele que praticamos desde os primeiros anos de existência. Uma capacidade de simbolizar as tramas da vida, as sensações, as emoções, sentimentos; misturando tudo com a própria experiência de identidade. É um tipo de operação mental complexa e de fundamental importância para a estruturação do pensamento e sentimentos. Um recurso da inteligência para lidarmos com o mundo em sua diversidade de expressões e os impactos em cada pessoa. Dramatizamos quando nos movemos, nos relacionamos, ocupamos e atuamos no mundo. Nessa perspectiva, transformamos a narrativa em acontecimento vivo e vice-versa.

O mundo em essência nos desafia a criar todos os dias. Partindo do pressuposto de que ao ocupar espaço, formular palavras, pensamentos e expressá-los, estamos criando.

A experiência na medida em que é experiência, consiste na acentuação da vitalidade. Em vez de significar um encerrar-se em sentimentos e sensações privadas, significa uma troca ativa e alerta com o mundo.” John D. – ‘Arte como experiência’.

 

3º ato –

Criar: dar expressão a vida

A proposta, como um todo, persegue a ideia do protagonismo de um processo criador. Ao ocupar, atuar, dramatizar, adentramos no processo. A capacidade criadora é um fenômeno da inteligência. Ela pode também expandir, encolher, ser reprimida, condicionada ou estimulada. É a grande capacidade plástica do imaginário, a que Vygotsky chamou de a “imaginação encarnada”. A proposta aqui é fomentá-la.

O ciclo das Oficinas de Criação e Expressão se complementa com um Projeto de Criação.

“Só escrevendo (ou falando), como fez Rousseau nas Confissões, alguém pode fabricar um eu. Mas nosso personagem aprendeu que ler e escrever (escutar e falar) é colocar-se em movimento, é sair sempre para além de si mesmo, é manter sempre aberta a interrogação acerca do que se é. Na leitura e na escrita o eu não deixa de se fazer, de se desfazer e de se refazer.” J. Larossa – Pedagogia Profana

Práticas, jogos e processo.

Começamos pelo movimento e o gestual. Concomitantemente, a narrativa de história aparece como eixo de inflexão, e estará presente em todos os momentos. É a disparadora do fabular, que é o meio, aquele que cria o ‘transe’, a conexão mágica, a dramatização, a surpresa do envolvimento, e que promove uma atmosfera expressiva e lúdica.

Palavras, ideias, histórias, as coisas e o mundo de cada um, o pensamento científico, a poética; todos se encontrando nos projetos de criação: de música, de palavras, de histórias, de invenções da ciência, de escuta, pintura, canto, dança, vídeos ou quaisquer voos da imaginação.

 

 

 

Epílogo

Todo desenvolvimento humano está ligado profundamente à capacidade de cooperar, de compor ideias com os outros. Conhecimento se amplifica na interação entre as pessoas.

Criar neste projeto é um atiçamento da identidade, do querer, do compor, do se expressar e ser cocriador no caminho da construção do conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

Tom W.

Dezembro 2020